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Libras na saúde: por que uma comunicação acessível faz parte do cuidado?

Entenda a importância da Libras na saúde e como profissionais preparados contribuem para um atendimento de surdos mais acessível e seguro.

A comunicação está presente em todas as etapas de um atendimento de saúde. É por meio dela que o paciente relata sintomas, tira dúvidas, recebe orientações e participa das decisões sobre seu cuidado. Para pessoas surdas que utilizam a Língua Brasileira de Sinais (Libras), ter profissionais preparados para se comunicar pode tornar essa experiência mais acessível.

No contexto da saúde, a acessibilidade comunicacional está relacionada à autonomia, à privacidade e à compreensão das informações recebidas. Por isso, falar sobre Libras na saúde significa discutir a qualidade do atendimento oferecido às pessoas surdas.

Por que a Libras é importante no atendimento de surdos?

A Libras é uma língua visual e espacial, reconhecida oficialmente no Brasil. Para parte da população surda, ela é a principal forma de comunicação.

Durante uma consulta ou um atendimento hospitalar, a ausência de comunicação acessível traz dificuldades para explicar sintomas, compreender orientações, esclarecer dúvidas sobre exames e acompanhar recomendações médicas.

Quando a equipe conhece Libras, a comunicação acontece de forma direta. O paciente consegue participar do atendimento com maior autonomia, sem depender exclusivamente de um acompanhante para transmitir informações pessoais.

A recepcionista do Hospital Evandro Ribeiro, Maria Izabel Gome Kruschswky, destaca justamente essa percepção após participar do curso de Libras da instituição:

“O curso de Libras me mostrou ainda mais a importância de uma comunicação acolhedora e acessível. O hospital se preocupa em capacitar os próprios funcionários para que o paciente tenha uma boa experiência desde a recepção até o atendimento final com o médico.”

Quais desafios existem no atendimento de pessoas surdas?

A falta de profissionais capacitados é um dos obstáculos para um atendimento de surdos mais acessível. Quando não existe uma forma de comunicação adequada, o paciente pode ter dificuldade para explicar o que sente ou compreender as orientações recebidas.

Em situações de saúde, essa barreira merece atenção especial. Informações relacionadas a sintomas, histórico clínico, exames e tratamentos precisam ser compreendidas pelo paciente.

Para Renata Amaro, a experiência com o curso também mudou sua percepção sobre esse atendimento:

“[…] com certeza seria um atendimento mais humanizado. O surdo se sentiria mais acolhido, tendo, assim, sua privacidade resguardada, uma vez que não seria necessário acompanhante ou intérprete […]”

Ela conta ainda que, antes da capacitação, tinha receio de atender uma pessoa surda. Depois das aulas, passou a perceber de outra forma a reação dos pacientes durante o atendimento.

“Posso dizer que, antes do início do curso de Libras, eu tinha temor em atender um surdo, por vergonha do constrangimento que seria causado ao paciente. Agora, depois das aulas, tive o orgulho em ver como os pacientes se sentiram acolhidos. […] Com certeza, quero continuar aprendendo mais e mais.”

Capacitação também faz parte da acessibilidade

A inclusão no ambiente de saúde depende de recursos, estrutura e preparo das equipes. A capacitação em Libras contribui para que os profissionais reconheçam as necessidades comunicacionais dos pacientes surdos e estejam mais preparados para recebê-los.

Para Glaubert Cardoso, recepcionista do HER, a qualificação da equipe ajuda a enfrentar preconceitos e melhora a experiência de quem chega ao hospital:

“Nos dias atuais, em que existem muitos preconceitos, para uma pessoa com deficiência auditiva chegar a um hospital com profissionais qualificados faz com que quebre muitos tabus, pois muitos perdem a vida por não conseguirem um atendimento adequado por falta de qualificação dos profissionais. Isso faz toda a diferença para o hospital. No Hospital Evandro Ribeiro, hospital de referência na cidade e na região, sair na frente com profissionais qualificados faz toda a diferença no acolhimento e no atendimento aos pacientes.”

A iniciativa ganha ainda mais relevância em setembro, no dia 23, quando é celebrado o Dia Nacional do Surdo. A data ajuda a ampliar a discussão sobre os direitos das pessoas surdas e sobre as barreiras que ainda existem em diferentes espaços, incluindo os serviços de saúde.

Libras na saúde é comunicação, autonomia e respeito

Um atendimento acessível começa antes da consulta e continua em todas as etapas da assistência. Recepção, orientação, consulta, realização de exames e acompanhamento exigem comunicação clara para que o paciente compreenda o que está acontecendo e consiga participar do próprio cuidado.

Investir na preparação dos profissionais é uma forma de reduzir barreiras e construir uma experiência mais inclusiva para as pessoas surdas. No Hospital Evandro Ribeiro, o curso de Libras integra esse movimento de preparação da equipe para um atendimento que considere diferentes necessidades de comunicação.

Conclusão

Falar sobre Libras na saúde é falar sobre acesso à informação, autonomia e respeito. Para pessoas surdas, encontrar profissionais preparados para se comunicar em sua língua contribui para uma relação mais próxima e segura com os serviços de saúde.

A acessibilidade comunicacional precisa estar presente desde o primeiro contato com o paciente. E a capacitação das equipes é um dos caminhos para construir esse atendimento.